MEI pode contratar funcionário em 2026? Veja salário, FGTS e custos além do pagamento mensal

Microempreendedor pode ter um empregado, mas salário não é o único valor que precisa entrar no orçamento

Publicado em 02/09/2026 por Redação.

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O Microempreendedor Individual não precisa necessariamente trabalhar sozinho. Em 2026, o MEI continua autorizado a contratar um empregado, desde que respeite as condições previstas para essa categoria empresarial.

MEI pode contratar funcionário em 2026? Veja salário, FGTS e custos além do pagamento mensal
Créditos: I.A.

A principal regra é que o MEI pode manter no máximo um funcionário. A remuneração deve corresponder ao salário mínimo ou ao piso salarial da categoria profissional, quando existir um piso superior.

Com o salário mínimo nacional de R$ 1.621 em 2026, porém, não basta reservar esse valor por mês. O empregador também tem gastos com FGTS e contribuição previdenciária patronal, além de precisar se preparar para férias, 13º salário, vale-transporte e outros direitos eventualmente previstos para a categoria.

Por isso, contratar pode ser um passo importante para fazer o negócio crescer, mas exige planejamento para que a folha não se transforme em um custo maior do que o caixa consegue suportar.

Quantos funcionários o MEI pode contratar?

O MEI pode contratar no máximo um empregado.

Essa regra faz parte das próprias condições para permanência no regime. Se o negócio crescer a ponto de precisar manter mais trabalhadores, será necessário avaliar o desenquadramento do MEI e a migração para outra forma empresarial.

O empregado deve receber um salário mínimo ou o piso da categoria profissional.

Isso significa que o valor de R$ 1.621 vigente em 2026 não é necessariamente o salário aplicável em todas as contratações. Se uma convenção coletiva estabelecer piso de R$ 1.900 para determinada profissão, por exemplo, o MEI deverá observar esse valor.

Também podem existir outros direitos definidos por acordo ou convenção coletiva, dependendo da atividade e da região em que o empregado trabalha.

Antes de contratar, portanto, é importante descobrir se existe piso específico para aquela função.

Quanto custa um funcionário que recebe R$ 1.621?

Além do salário, o MEI possui dois encargos patronais básicos diretamente relacionados à folha: contribuição previdenciária de 3% e depósito de 8% no FGTS.

Considerando um salário de R$ 1.621, os valores correspondem a:

  • salário bruto: R$ 1.621;
  • contribuição previdenciária patronal de 3%: R$ 48,63;
  • FGTS de 8%: R$ 129,68.

Somando salário e esses encargos, o desembolso básico chega a aproximadamente R$ 1.799,31 no mês.

Esse cálculo ainda não representa todo o custo real da contratação.

O empregado também contribui para o INSS, conforme as faixas previdenciárias aplicáveis. Essa contribuição é descontada do salário do trabalhador e recolhida pelo empregador, portanto não deve ser confundida com os 3% que efetivamente ficam a cargo do MEI.

O eSocial reúne a contribuição previdenciária e o FGTS relacionados à folha no Documento de Arrecadação do eSocial, o DAE.

Se o piso da profissão for superior ao salário mínimo, tanto o salário quanto os encargos calculados sobre ele aumentam proporcionalmente.

Férias e 13º também precisam entrar na conta

Um dos erros mais comuns ao calcular o custo de contratar é considerar apenas aquilo que sai do caixa durante um mês normal.

O funcionário do MEI possui os direitos trabalhistas de uma contratação formal. Entre eles estão 13º salário e férias anuais acrescidas de um terço.

Isso significa que parte da receita mensal do negócio deveria ser reservada para despesas que chegarão posteriormente.

Se o funcionário recebe R$ 1.621 durante todo o ano, por exemplo, haverá o pagamento do 13º nas condições previstas pela legislação trabalhista. Nas férias, além da remuneração correspondente, existe o adicional constitucional de um terço.

Também há incidências trabalhistas e previdenciárias aplicáveis sobre determinadas verbas.

Na prática, portanto, os R$ 1.799,31 do exemplo mensal não devem ser interpretados como o custo definitivo de manter aquele empregado durante um ano inteiro.

Planejar reservas mensais para 13º e férias reduz o risco de chegar ao fim do ano ou ao período de descanso do trabalhador sem dinheiro disponível para cumprir as obrigações.

Vale-transporte e convenção coletiva podem aumentar o gasto

Outros custos dependem da situação concreta do empregado.

O vale-transporte, quando necessário, deve ser considerado. Convenções coletivas também podem estabelecer benefícios ou condições adicionais, como vale-alimentação, cesta básica, planos de saúde ou pisos superiores ao salário mínimo.

Horas extras são outro exemplo.

A jornada normal de trabalho não pode ultrapassar os limites legais, e horas trabalhadas além da jornada podem gerar remuneração adicional. Trabalho noturno também possui regras próprias.

O Portal do Empreendedor lista entre os direitos básicos do funcionário do MEI o repouso semanal remunerado, férias com adicional de um terço, 13º, FGTS, benefícios previdenciários, vale-transporte quando aplicável e adicional por horas extras.

Em uma eventual demissão sem justa causa também podem surgir despesas como aviso-prévio e multa sobre o FGTS.

Por isso, o custo da contratação varia bastante de um negócio para outro, mesmo quando dois trabalhadores recebem exatamente o mesmo salário.

MEI precisa contratar contador para ter funcionário?

Não é obrigatório contratar contador apenas porque o MEI passou a ter um empregado.

O próprio governo disponibiliza o módulo simplificado do eSocial para que o microempreendedor faça o registro e administre a folha de pagamento.

É necessário informar corretamente os dados trabalhistas, fechar a folha e emitir as guias correspondentes. Alterações de salário, férias, afastamentos e eventual desligamento também precisam ser registrados.

Embora o contador não seja obrigatório, contratar apoio profissional pode ser útil quando o empreendedor não domina as regras trabalhistas ou não quer assumir sozinho a rotina administrativa.

O mais importante é entender que ter funcionário muda a organização financeira do negócio.

Se o MEI pretende contratar alguém porque a demanda aumentou, vale calcular quanto essa pessoa poderá acrescentar à capacidade de atendimento, produção ou vendas e comparar esse ganho com o custo total da contratação.

O salário é apenas o ponto de partida. Para decidir se o negócio realmente consegue manter um empregado, é preciso considerar FGTS, contribuição patronal, férias, 13º, benefícios e eventuais custos previstos para aquela categoria profissional.

ESCRITO POR: Rodrigo Duarte - Jornalista formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com especialização em Marketing Digital.