Ações alugadas pagam dividendos ao investidor? Entenda o que acontece durante o aluguel

Quem aluga suas ações continua preservando o resultado econômico dos dividendos e de outros proventos distribuídos durante o período do empréstimo.

Publicado em 19/09/2026 por Redação.

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O aluguel de ações permite que um investidor que pretende manter os papéis por mais tempo obtenha uma remuneração adicional sem precisar vendê-los.

Enquanto as ações estão emprestadas, outro participante do mercado, chamado tomador, assume temporariamente a titularidade dos ativos e pode utilizá-los, por exemplo, em uma venda a descoberto.

Ações alugadas pagam dividendos ao investidor? Entenda o que acontece durante o aluguel
Créditos: I.A.

É justamente essa transferência temporária que provoca a dúvida: se a empresa distribuir dividendos nesse período, quem recebe?

O doador perde os dividendos?

Não.

A B3 garante ao investidor que emprestou as ações, chamado de doador, tratamento econômico equivalente ao que teria se os papéis continuassem normalmente em sua carteira.

Imagine que uma pessoa tenha 1.000 ações de uma companhia e coloque toda a posição para aluguel.

Durante o contrato, a empresa anuncia e paga R$ 0,80 por ação em dividendos.

O investidor continua tendo direito econômico ao equivalente a R$ 800, mesmo que as ações estejam temporariamente sob titularidade de outra pessoa.

O mecanismo de empréstimo faz os ajustes necessários para que esse valor chegue ao doador.

O pagamento vem diretamente da empresa?

Formalmente, não.

Durante o empréstimo, o doador deixa de ser o proprietário formal das ações.

Por isso, quando a companhia consulta quem possui os papéis na data de corte, é o titular existente naquele momento que aparece como acionista.

O provento é pago seguindo essa posição.

Depois, o sistema de empréstimo de ativos realiza a compensação: o tomador é debitado e o doador recebe valor equivalente ao provento ao qual teria direito.

A B3 informa que esse reembolso é feito nas mesmas bases de valor e data, considerando também as condições fiscais aplicáveis.

Para o investidor, portanto, o resultado econômico é preservado mesmo que a natureza operacional do crédito seja diferente.

Além dos dividendos, o que acontece com o JCP?

A proteção não se limita aos dividendos.

Juros sobre capital próprio também são contemplados pelo mecanismo.

O mesmo princípio vale para diferentes eventos corporativos, incluindo bonificações e outros direitos econômicos associados às ações.

Se houver um evento pago em ativos, as quantidades do contrato de empréstimo são ajustadas para que o doador mantenha a posição econômica equivalente.

Isso evita que colocar uma ação para aluguel faça o investidor perder benefícios econômicos distribuídos pela companhia durante o período.

E a remuneração do aluguel?

Ela é separada dos dividendos.

Ao emprestar as ações, o doador recebe uma taxa negociada no contrato de empréstimo.

Essa remuneração depende de fatores como oferta e procura pelo papel.

Uma ação muito procurada por investidores que desejam montar posições vendidas pode apresentar taxas maiores de aluguel. Já papéis com grande disponibilidade podem pagar taxas bem menores.

Assim, o investidor pode receber duas fontes distintas durante o período: o resultado econômico dos proventos da empresa e a remuneração própria do empréstimo.

Não se deve somar os dois como se fossem o mesmo rendimento.

O investidor continua podendo votar em assembleias?

Não enquanto as ações estiverem emprestadas.

Essa é uma das diferenças mais importantes entre direitos econômicos e direitos políticos.

Como o tomador passa a ser formalmente titular dos papéis durante o empréstimo, o doador deixa de possuir o direito de voto correspondente naquele período.

A própria CVM reafirmou em 2025 que o empréstimo de ações transfere temporariamente a propriedade do ativo ao tomador, que pode dispor dele conforme as regras da operação.

Portanto, quem pretende participar de uma assembleia importante precisa verificar a situação das ações e as condições para solicitar sua devolução antes da data necessária.

O que acontece se houver subscrição?

Esse caso exige mais atenção.

Quando há direito de subscrição durante o empréstimo, a B3 possui procedimentos para preservar a situação econômica do doador.

O investidor pode exercer o direito nas condições que teria caso ainda estivesse diretamente com os papéis em custódia.

Como o direito formal foi gerado para quem figurava como titular, porém, a operação pode envolver devolução de direitos, recibos ou ações correspondentes.

Também existem prazos e procedimentos específicos.

Por isso, quem possui ações alugadas durante uma subscrição deve acompanhar a comunicação da corretora e evitar deixar a decisão para o último momento.

Posso vender as ações enquanto estão alugadas?

Em muitos serviços de custódia remunerada, a estrutura utilizada pela corretora permite que o cliente solicite a venda e que o empréstimo seja encerrado ou ajustado conforme as regras aplicáveis.

Mas o investidor deve conferir as condições oferecidas por sua instituição.

O empréstimo possui prazo, taxa e condições próprias, e nem todos os contratos funcionam exatamente da mesma forma.

Quem pretende negociar os papéis precisa verificar se existe prazo para devolução e como a corretora processará a operação.

Como conferir os dividendos de ações alugadas?

A Área do Investidor da B3 ajuda nesse controle.

Ela permite consultar posições, empréstimos de títulos, rendimentos e informações sobre reembolsos relacionados aos ativos emprestados.

Isso é útil porque o crédito pode não aparecer no extrato exatamente com a mesma descrição utilizada para um dividendo recebido com a ação livre em carteira.

A B3 também disponibiliza informes relacionados a empréstimos, importantes principalmente na época da declaração do Imposto de Renda.

Ainda assim, os documentos fornecidos pela corretora ou custodiante devem ser conferidos para fins tributários.

Vale a pena alugar ações que pagam dividendos?

O pagamento de dividendos, isoladamente, não é motivo para evitar o aluguel.

Como o direito econômico é preservado, o investidor de longo prazo pode continuar exposto aos resultados da empresa e ainda receber uma remuneração adicional pelo empréstimo.

A decisão deve considerar outros aspectos, como taxa oferecida, necessidade de votar em assembleias, possibilidade de vender os papéis e funcionamento do serviço da corretora.

O principal ponto é não confundir titularidade temporária com perda definitiva dos proventos.

Durante o aluguel, o doador deixa de ser formalmente o acionista daqueles papéis, mas o sistema da B3 foi estruturado para que continue recebendo o equivalente econômico aos dividendos e outros eventos corporativos que teria direito se as ações permanecessem em sua carteira.

ESCRITO POR: Rodrigo Duarte - Jornalista formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com especialização em Marketing Digital.