Vale a pena deixar dinheiro nos cofrinhos do Mercado Pago?

Entenda como funciona o rendimento dos Cofrinhos, quando essa opção pode ser útil e como ela se compara com alternativas tradicionais de renda fixa.

Publicado em 07/05/2026 por Rodrigo Duarte.

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Guardar dinheiro em cofrinhos digitais virou uma solução prática para quem quer organizar melhor a vida financeira sem precisar abrir uma conta em corretora ou escolher investimentos mais complexos. A ideia é simples: o usuário separa valores dentro do próprio aplicativo, cria metas específicas e deixa aquele dinheiro rendendo enquanto não usa. No Mercado Pago, os Cofrinhos cumprem exatamente esse papel, permitindo separar quantias para reserva de emergência, viagens, pagamento de contas, compras futuras ou qualquer outro objetivo.

Vale a pena deixar dinheiro nos cofrinhos do Mercado Pago?
Créditos: Divulgação

A dúvida mais importante, porém, é se vale a pena deixar dinheiro nos Cofrinhos do Mercado Pago em vez de aplicar em outros produtos de renda fixa, como Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária, fundos DI ou até a tradicional poupança. A resposta depende principalmente do seu objetivo, do valor aplicado, do prazo de uso do dinheiro e das condições de rendimento disponíveis no momento. Segundo o próprio Mercado Pago, os Cofrinhos podem render 115% do CDI para valores até R$ 5 mil, enquanto o valor excedente rende 100% do CDI. A empresa também informa que clientes assinantes do Meli+ podem fazer os Cofrinhos renderem 120% do CDI, conforme as regras vigentes da funcionalidade.

Esse rendimento chama atenção porque fica acima da poupança e de muitos CDBs de grandes bancos. No entanto, não basta olhar apenas para o percentual do CDI. Também é necessário considerar tributação, liquidez, limites promocionais, segurança da instituição e finalidade do dinheiro. Para pequenos valores e metas de curto prazo, os Cofrinhos podem ser bem interessantes. Para quantias maiores ou planejamento de longo prazo, outras opções de renda fixa podem ser mais adequadas.

Como funcionam os Cofrinhos do Mercado Pago?

Os Cofrinhos são uma funcionalidade da conta Mercado Pago que permite separar o dinheiro em objetivos diferentes. Em vez de deixar todo o saldo misturado na conta principal, o usuário pode criar divisões específicas, como “reserva”, “viagem”, “IPVA”, “material escolar” ou “emergência”. Essa separação ajuda principalmente quem tem dificuldade de manter organização financeira, porque reduz a chance de gastar sem perceber valores que já tinham destino definido.

A grande vantagem está na combinação entre praticidade e rendimento automático. O dinheiro separado nos Cofrinhos continua acessível pelo aplicativo e rende de acordo com as condições definidas pelo Mercado Pago. A própria empresa destaca que o dinheiro em conta de pessoa física rende pelo menos 100% do CDI e que existem rendimentos turbinados, como 105%, 115% ou 120% do CDI, dentro de limites e regras específicas.

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No caso dos Cofrinhos, a regra divulgada pelo Mercado Pago informa rendimento de 115% do CDI para valores até R$ 5 mil, com o excedente rendendo 100% do CDI. Já para quem assina o Meli+, a página da funcionalidade informa possibilidade de rendimento de 120% do CDI. Em março de 2026, também houve campanha promocional com rendimento de 140% do CDI para assinantes Meli+, mas veículos especializados destacaram que se tratava de uma condição por prazo limitado e com regras específicas, o que reforça a importância de conferir a oferta atual dentro do aplicativo antes de tomar uma decisão.

Como o rendimento é atrelado ao CDI, ele acompanha o movimento dos juros no Brasil. A B3 informava uma Taxa CDI Cetip anual de 14,40% ao ano em 6 de maio de 2026. Isso significa que um rendimento de 115% do CDI, em termos brutos, tende a superar uma aplicação que pague 100% do CDI, desde que as demais condições sejam semelhantes. Ainda assim, o rendimento líquido pode variar por causa do Imposto de Renda e do prazo em que o dinheiro permanece aplicado.

Cofrinho do Mercado Pago é investimento?

Na prática, o Cofrinho funciona como uma aplicação automática ou saldo remunerado dentro da conta Mercado Pago, mas o usuário precisa entender exatamente qual produto está por trás desse rendimento. Essa informação é importante porque afeta segurança, tributação e comparação com outras alternativas. Diferentemente de uma poupança, de um CDB escolhido diretamente em uma corretora ou de um título do Tesouro Direto comprado pelo investidor, o Cofrinho é uma funcionalidade dentro do ecossistema do Mercado Pago.

Para o consumidor comum, a experiência é simples: separar dinheiro, acompanhar rendimento e resgatar quando precisar. Do ponto de vista financeiro, porém, vale conferir no aplicativo os termos da aplicação, a instituição responsável, a cobertura aplicável e as condições de liquidez. Essa checagem é especialmente importante para valores mais altos, porque nem todo produto com aparência de “dinheiro parado rendendo” tem exatamente a mesma proteção de um CDB coberto pelo FGC ou de um título público federal.

O Fundo Garantidor de Créditos, conhecido como FGC, protege determinados depósitos e investimentos emitidos por instituições financeiras participantes, dentro dos limites definidos em suas regras. O Banco Central explica que o FGC garante recursos depositados em bancos e outras instituições autorizadas, enquanto o próprio FGC informa que sua missão é proteger depositantes e investidores e contribuir para a estabilidade do sistema financeiro. Essa proteção costuma ser uma vantagem relevante de CDBs, LCIs e LCAs emitidos por instituições cobertas, mas o investidor deve sempre verificar o produto específico antes de aplicar.

Outro ponto é a tributação. Aplicações de renda fixa geralmente sofrem Imposto de Renda sobre os rendimentos, seguindo tabela regressiva, além de IOF em resgates feitos em menos de 30 dias em muitos produtos. No Tesouro Selic, por exemplo, a B3 explica que o IR varia de 22,5% para aplicações de até 180 dias a 15% para prazos superiores a 720 dias. Se o Cofrinho seguir tributação semelhante, o rendimento bruto anunciado não será o mesmo valor que cairá líquido para o usuário. Por isso, comparar apenas “115% do CDI” com “100% do CDI” pode ser incompleto.

Como ele se compara com outros investimentos de renda fixa?

O Cofrinho do Mercado Pago costuma se destacar pela facilidade. Para quem já usa o app, criar uma meta e deixar o dinheiro rendendo exige poucos passos. Isso é diferente de pesquisar CDBs, abrir conta em corretora, comparar prazos, entender liquidez e avaliar risco do emissor. Para quem está começando, a simplicidade pode ser um benefício real, porque torna mais fácil criar o hábito de guardar dinheiro.

Na comparação com a poupança, os Cofrinhos tendem a ser mais interessantes quando pagam 100%, 115% ou 120% do CDI, especialmente em períodos de Selic alta. A poupança tem isenção de Imposto de Renda para pessoa física, mas sua fórmula de rendimento costuma ficar abaixo de aplicações atreladas ao CDI em muitos cenários. Mesmo assim, ela ainda pode ser usada por quem prioriza simplicidade extrema, não quer lidar com tributação e aceita rendimento menor.

Em relação ao Tesouro Selic, a comparação é mais equilibrada. O Tesouro Selic é um título público federal, bastante usado para reserva de emergência, com liquidez diária em dias úteis e baixo risco de crédito. O Tesouro Direto informa que há cobrança de taxa de custódia de 0,2% ao ano sobre o valor dos títulos, provisionada diariamente, embora existam regras específicas de isenção em determinadas condições. Para valores maiores e reserva de emergência mais estruturada, ele continua sendo uma referência importante. Já o Cofrinho pode ganhar em conveniência, principalmente para quem quer separar metas pequenas dentro do aplicativo.

Na comparação com CDBs de liquidez diária, o ponto central é o percentual do CDI e a segurança do emissor. Um CDB que pague 100% do CDI, tenha liquidez diária e seja coberto pelo FGC pode ser muito competitivo. Se o Cofrinho estiver pagando 115% ou 120% do CDI dentro do limite permitido, pode render mais no curto prazo, mas o usuário precisa observar limites, regras promocionais e tributação. CDBs de bancos menores podem oferecer percentuais mais altos, mas exigem atenção ao risco do emissor e aos limites de garantia.

Fundos DI e fundos de renda fixa simples também entram nessa comparação, mas podem ter taxa de administração e come-cotas, o que reduz o retorno líquido. Eles podem fazer sentido para alguns perfis, especialmente em plataformas onde o cliente já investe, mas não são necessariamente melhores para pequenos valores. Em muitos casos, a facilidade do Cofrinho ou de um CDB simples de liquidez diária resolve melhor a necessidade de quem só quer guardar dinheiro com rendimento razoável.

Opção

Principal vantagem

Principal ponto de atenção

Cofrinho Mercado Pago

Praticidade e rendimento acima de 100% do CDI em algumas condições

Limites, regras promocionais e necessidade de conferir o produto no app

Tesouro Selic

Baixo risco de crédito e boa referência para reserva de emergência

IR, taxa de custódia e resgate em dias úteis

CDB liquidez diária

Pode render 100% do CDI ou mais, com cobertura do FGC quando aplicável

Risco do emissor e regras de liquidez

Poupança

Simplicidade e isenção de IR para pessoa física

Rendimento geralmente menor

Quando vale a pena deixar dinheiro nos Cofrinhos?

Os Cofrinhos do Mercado Pago podem valer a pena para dinheiro de curto prazo, metas pequenas e valores que você pretende manter separados do saldo principal. Eles são especialmente úteis para quem já usa o Mercado Pago no dia a dia e quer guardar dinheiro sem complicar a rotina. Se o rendimento disponível for de 115% ou 120% do CDI dentro dos limites definidos, a opção pode ser competitiva em relação a muitas alternativas simples de renda fixa.

Para uma reserva de emergência, a resposta depende do valor. Se a reserva ainda está começando, os Cofrinhos podem ajudar bastante, porque facilitam o hábito de separar dinheiro. Para reservas maiores, pode ser mais prudente dividir entre alternativas, como Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária cobertos pelo FGC e saldo remunerado em conta, evitando concentrar tudo em uma única plataforma. Diversificar não precisa ser complicado: pode significar apenas manter uma parte acessível no app e outra em produto tradicional de renda fixa.

Já para objetivos de médio e longo prazo, como compra de imóvel, aposentadoria, estudo dos filhos ou formação de patrimônio, o Cofrinho provavelmente não deve ser a única solução. Ele pode guardar valores temporários, mas investimentos com estratégia mais clara, prazos definidos e comparação de rentabilidade líquida tendem a ser mais adequados.

Antes de decidir, olhe três pontos no aplicativo: qual percentual do CDI está disponível para você, qual limite recebe rendimento turbinado e quais regras de resgate e tributação se aplicam. Se o dinheiro for para uma meta próxima, o Cofrinho pode ser uma escolha simples e eficiente. Se o valor for alto ou o prazo for longo, vale comparar com Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária antes de deixar tudo parado apenas pela conveniência.

ESCRITO POR: Rodrigo Duarte - Jornalista formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com especialização em Marketing Digital.